CÂMARA APROVA MOÇÃO DE PESAR À INESQUECÍVEL LILI, SERVIDORA EFETIVA DA MATRÍCULA Nº 001
Em momento de profunda emoção, os 13 Vereadores se unem para prestar homenagem a quem cuidava dos arquivos históricos do Município
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Na manhã desta terça-feira (18/08), a 19ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Mucuri não foi apenas de votação de projetos, indicações, pedidos de providência, discursos políticos ou debates técnicos. Quando a Moção de Pesar nº 001/2026 entrou em pauta, o plenário foi tomado por um silêncio reverente e emocionado. Assinada conjuntamente por todos os 13 vereadores da Casa, a matéria prestou a última homenagem a Sueli Alves Gandra, a nossa eterna “Lili”, que partiu aos 66 anos de idade, deixando um vazio que jamais será preenchido nos corredores do Legislativo e no coração da comunidade. Na plateia, sua mãe Namir Alves Gandra, familiares e amigos mais próximos.

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Lili não era apenas uma funcionária; ela era a história viva da instituição. Ao ingressar na Câmara em 16 de abril de 2002, ela inaugurou uma era, ostentando com orgulho a matrícula nº 001 no quadro de servidores efetivos. Há mais de dez anos, exercia com zelo e dedicação a função de arquivista da Casa. Ali, onde muitos viam apenas papéis amarelados pelo tempo, Lili enxergava a própria alma de Mucuri. Com um olhar sensível, ela organizou o passado, cuidou da memória do povo mucuriense e garantiu que o rastro de nossa identidade jamais fosse apagado.
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Uma trajetória marcada por música, sorrisos e pioneirismo
Natural de Belo Horizonte, Sueli trouxe de Minas Gerais o dom sagrado da música, lapidado ainda na infância no Coral Rouxinóis do Carmo Sion. Dona de uma voz de contralto potente e aveludada, ela cantou na noite mineira antes de o destino traçar suas linhas em direção ao Extremo Sul da Bahia. Em uma época em que os microfones eram predominantemente masculinos, ela desafiou barreiras e tornou-se pioneira na comunicação regional, sendo a primeira mulher a comandar a programação de uma emissora de rádio na região. Sua voz foi o acalento diário de milhares de lares.
Ao adotar Mucuri como seu lar definitivo em 1997, Lili transbordou sua energia vibrante para além do serviço público. Ao lado de sua mãe, foi uma das fundadoras da primeira associação de cabaneiros da cidade e ajudou a criar o famoso “Macarrão Terra Nostra”, uma iguaria que se eternizou na memória gastronômica e afetiva das temporadas de verão.
Nas redes sociais, ela mesma se definia com a simplicidade dos grandes: “comunicativa, alegre, adoro música, pesca e jogo de buraco. Quero sempre fazer novos amigos”. E fazia.
Com suas rimas improvisadas, piadas contagiantes e uma capacidade única de transformar um dia cinzento em poesia, Lili transformava colegas de trabalho em grandes companheiros de vida.
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A guardiã das memórias de Mucuri
A aprovação unânime da moção reflete o cumprimento do Ato da Presidência nº 001/2026, que já havia decretado o luto oficial na Casa, reconhecendo que seu trabalho “contribuiu para o bem-estar da coletividade”. No entanto, as lágrimas contidas e os olhares marejados dos parlamentares e servidores durante a leitura do texto deixaram claro que a herança de Lili vai muito além dos deveres cumpridos.
Ela deixou suas marcas registradas na voz do rádio, nas melodias que entoava, nas páginas preservadas do arquivo legislativo, no sabor do macarrão na praia e, acima de tudo, no afeto que distribuiu generosamente por três décadas nesta terra litorânea.
A Câmara de Mucuri, em nome dos parlamentares Dr. Hélio, Carlinhos da Ótica, Willian Crisma, Fernando da Gazzinelli, Dema, Douglas Dodô, Diney Drinks, Sula Policial, Felipe do Ônibus, Valzinho Embalador, Pamela Seixas, Paulo do Carvão e Roberto Junior, extensivo a todos os servidores efetivos e contratados, manifestou suas mais profundas condolências à mãe Namir Alves Gandra, irmãs Sônia Alves Gandra, Simone, irmão Sérgio Ricardo, à sobrinha Hanna Sophia e aos incontáveis amigos. Um ofício especial com o texto da Moção será enviado à família enlutada, eternizando nos anais da Casa o respeito e a saudade de um município inteiro. Que a sua luz continue a cantar em nossa história.
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A Moção foi entregue aos familiares em momento solene, quando sua mãe, dona Namir, falou da tribuna, em um agradecimento emocionado. Em seguida, a pedido da família, a amiga Caranna Salomão Barbosa, servidora efetiva da Justiça, escrivã do Cartório da Vara Criminal de Mucuri, fez um pronunciamento contando um pouco da trajetória de Lili, sob aplausos emocionados.
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Veja a íntegra da Moção de Pesar nº 001/2026.



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